Cabeçalho

Fundado, em 22 de janeiro de 2012, o Núcleo de Correspondência Constitucionalistas de São Vicente, que tem como intuito: Promover, pesquisar e divulgar as conquistas, as consequências e os feitos inerentes à gloriosa revolução de 1932.

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Maria Celestina Teixeira Mendes Torres (Mariinha)

Em junho de 1988, no aniversário do irmão, o paisagista Augusto Octávio.
Janeiro de 2012. Guilherme e Mariinha, aos 101 anos
Na década de 1940


Neta do fundador do ramo paulista da família Teixeira Mendes, Maria Celestina Teixeira Mendes nasceu em 18 de julho de 1910, no município de Piracicaba. Filha do engenheiro mecânico Octávio Teixeira Mendes e da dona-de-casa Leonina Marques Mendes, Mariinha é integrante de uma numerosa família, composta por treze irmãos.
Nascida num ambiente austero, seu pai era um personagem famoso em Piracicaba. Octávio Teixeira Mendes incutiu na filha princípios e preceitos republicanos; fatores que serviram como motivação para Mariinha ingressar como enfermeira na Revolução Constitucionalista de 1932.
Formada na antiga Escola Normal de Piracicaba, Maria Celestina ingressa na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP, tendo cursado Geografia e História no período 1935-1938. Logo após ter se formado, torna-se professora primária e leciona como assistente de Psicologia Educacional, tendo trabalhado depois como professora de História Moderna e Contemporânea e como assistente de História Econômica ainda na USP. Ao longo de sua vida, lecionou em várias escolas de Piracicaba e Campinas.
Integrante da Academia Campinense de Letras e do Instituto Histórico e Geográfico, Mariinha lançou diversos livros, entre os quais: “Octávio Teixeira Mendes e a sua Piracicaba” (Sobre seu pai Octávio e os problemas inerentes à cidade Paulista), “Um lavrador Paulista no tempo do Império”, “Piracicaba no século XIX” e a série de livros sobre os bairros de São Paulo, a saber: “O jardim da Luz”, “O bairro do Brás”, “O bairro de Santana”, entre outros.
Mariinha é conhecida entre seus familiares como uma mulher séria e rígida consigo mesmo, o que não impede que seja muito querida no âmbito familiar. Conhecida por sua generosidade e por sua ternura. Prova disso são as constantes visitas que recebe em seu apartamento. Em diversas ocasiões, Maria Celestina emprestou sua casa aos sobrinhos, pois como eram jovens estudantes, não tinham condições de custear uma pensão.
Mariinha participa junto com Octávio, seu pai, e mais quatro irmãos, da Revolução Constitucionalista de 32. Nesse conflito contribui ativamente, sendo motivo de orgulho para seus familiares.  Serviu como enfermeira no front do Vale do Paraíba. Durante seus trabalhos como enfermeira, consolida-se sua fama de mulher de têmpera de ferro. Não se importa de arriscar sua vida pela dos demais companheiros.
Volta do conflito como Heroina; condição estabelecida por seus amigos e entes queridos. Conhece Nelson Gonçalves Torres, empresário do ramo da Cerâmica, com quem se casa no ano de 1938. No mesmo ano nasce sua filha, Marília Teixeira Mendes Gonçalves Torres. Infelizmente a criança nasce com problemas graves na coluna vertebral, fazendo com que Mariinha e seu esposo, façam viagens constantes com o intuito de realizar cirurgias na filha, visando uma maior qualidade de vida para Marília.

Ingressa, via concurso público, no ensino secundário, onde se aposenta; dedicando-se em tempo integral às pesquisas históricas. Recebe visitas de ex-alunos e amigas Professoras com quem havia trabalhado.
Com a morte de seu esposo em 1983, e de sua filha em 1990, o estado de saúde de Mariinha piora gradativamente. É internada com problemas exclusivos de Senilidade, numa casa de Repouso situada em Campinas, no ano 2000. Desde então, vive tranquilamente aguardando a presença dos poucos que a visitam. Atualmente aos 101 anos, Mariinha é um exemplo de perseverança, pois conseguiu enfrentar todos os desafios decorrentes de sua vida com dignidade.

sábado, 4 de fevereiro de 2012

Convite para Cerimônia de Condecoração em Itapira


BIOGRAFIA DE DURVAL MOREIRA DO AMARAL (Força Pública) – Patrono do Núcleo de Correspondência Constitucionalistas de São Vicente


De Taubaté onde estava destacado, como Sargento que era do 5º B.C.P. da Força Pública, Durval Moreira do Amaral partiu diretamente para frente Norte a 10 de Julho. Valente, mereceu em campanha a promoção a 2º Tenente, posto que honrou sobremaneira. Um dia, o seu comandante, Cap. Odilon Aquino de Oliveira, reuniu seus oficiais e sub-oficiais e disse-lhes de uma posição perigosíssima que era preciso guarnecer. Pedia voluntários, pois que aquela missão representava inevitavelmente a morte. Durval apresentou-se. Com ele, Milton Ferreira. E ambos partiram para além um pouco do Morro Pelado, adiante de Silveiras. A 3 de Setembro, seu corpo foi trazido para a retaguarda e mandado para São Paulo onde, com grandes homenagens, foi sepultado no cemitério São Paulo.

Dados biográficos: - Irmão de Walter, Deoclides, Gastão, Lourival e Dilermando do Amaral, nascera Durval em Santos aos 15 de Fevereiro de 1911. Casado com d. Celina Sampaio, deixou dois filhos: Pedro Maurício e Ada, esta recentemente falecida.
Por ocasião do seu enterramento, na Capital, seu pai disse a um jornalista: “...orgulho-me da sua morte, pois ele soube ser valente e uma consciência a serviço desta luta sacrossanta. O seu exemplo ficará como o melhor ensinamento para todos aqueles que ainda são crianças e não puderam servir ao glorioso Estado de São Paulo”.

Extraído do livro CRUZES PAULISTAS

O QUE REPRESENTA O OBELISCO


Trata-se de uma homenagem tardia a SÃO PAULO, mas, no meu entender, ela deve ser feita. Um povo não é um povo se não guarda na memória os seus valores, a sua história e o seus heróis. Heróis, sim, porque em todos os lugares existem heróis. Pouco importa se sua glória nasceu de um único momento de bravura ou de toda uma vida de trabalho honesto e extenuante. A biografia de um herói não mais pertence a ele ou aos seus familiares. Ele se transformou num símbolo e, assim, depositário de todas as virtudes cívicas que cada um dos cidadãos se esforça por ter. Um povo que ignora a sua história não é um povo, é uma massa amoldável aos interesses de seus governantes.
   Neste último 25 de janeiro – dia do aniversário desta capital e também do Estado – de tudo o que li e ouvi, muito pouco se disse sobre a Revolução de 32. Ainda é tempo para reparar.
   O tráfego é intenso nas imediações do Parque do Ibirapuera, de modo a que ninguém preste atenção ao Obelisco que lá existe. O Monumento às Bandeiras – ao qual Vitor Brecheret dedicou mais de 30 anos – encontra-se logo adiante e tem destaque muito maior.
   Mesmo dos que observam de mais perto o Obelisco, poucos sabem o que ele representa. Ora, obeliscos existem em todas as grandes cidades do mundo, dirão alguns. Outros sabem que o monumento é uma homenagem à Revolução Constitucionalista de 1932, mas mesmo assim não lhe dão maior valor: “Afinal, essa foi uma guerra que SÃO PAULO perdeu, não é verdade?”
   As crianças em outros Estados são ensinadas sobre o episódio como a “Guerra Paulista”, na qual as elites paulistas teriam instigado a população a um confronto suicida com as tropas federais. Segundo essa versão, as oligarquias de SÃO PAULO e MINAS GERAIS – que tinham em suas mãos o domínio do governo federal – estavam inconformadas por tê-lo perdido para um gaúcho, GETÚLIO VARGAS, “o qual governava pensando no País inteiro”.
   “O que SÃO PAULO pretendia era separar o Estado do restante do  BRASIL”, dizem outros. Eu, como paulista, tenho outra visão.
   A Revolução Constitucionalista representou, de forma inquestionável, o momento mais heróico de toda a História do povo de SÃO PAULO. Ela merecia aquele Obelisco e muito mais.
   Mas SÃO PAULO perdeu a guerra, alegarão alguns. Pouco importa. O fenômeno a ser ressaltado aqui é o de que nunca um movimento político obteve tanto engajamento, apoio e ardor de toda a população quanto a Revolução Constitucionalista paulista. Tanto os partidos e facções da política local como também os agricultores, os industriais e os comerciantes do Estado se uniram pela causa comum. Na campanha “doe ouro para o bem de SÃO PAULO”, nem mesmo a população mais humilde deixou de contribuir. Desde grandes colares até alianças de casamento, cada cidadão contribuiu de acordo com as suas posses.
   De todos os cantos do Estado se apresentaram para o alistamento. Ninguém tinha experiência anterior de combate. Depois de feita a seleção, restaram 40 mil homens aptos para os campos de batalha. 
   Nosso exército não era composto por soldados profissionais, mas por voluntários. De militar, realmente, só havia o apoio da FORÇA PÚBLICA – que, muitos anos depois, viria a se transformar na POLÍCIA MILITAR DO ESTADO DE SÃO PAULO. A corporação tem todos os motivos para se vangloriar de seu passado: ela foi criada nos tempos em que o PADRE FEIJÓ era regente, durante a menoridade de dom PEDRO II.
   As tropas federais contavam com um número muito maior de soldados, mais preparados para um teatro de operações de guerra. Acabamos por ser militarmente derrotados. O sangue de pelo menos 800 paulistas foi derramado nos campos de batalha. Milhares foram presos e deportados.
   Pergunta-se aos de fora: nós nos arrependemos disso? A resposta é um absoluto NÃO!
   Getúlio Vargas atendeu a praticamente todas as nossa reivindicações. E isso não aconteceu por acaso, nem por uma suposta benevolência dos vencedores. SÃO PAULO já era, então, o principal pólo de criação de riquezas no BRASIL. Grande parte do café da incipiente indústria brasileira provinha daqui.
   Mas se cuidou de enfraquecer o nosso poder político. A nossa cota de deputados federais é pouco maior que metade da que deveríamos ter se o critério fosse realmente o de proporcionalidade da população nacional. E dos impostos federais que são recolhidos aqui, não mais que um décimo retorna em nosso benefício.
   Quem melhor definiu o problema foi o GENERAL GOLBERY DO COUTO E SILVA, ideólogo do movimento de 1964:”Quem tem o poder econômico não pode também pretender ter o poder político”. Ou seja, SÃO PAULO está até hoje pagando “indenizações de guerra” aos vencedores...
   Mas não nos arrependemos de nada. Continuamos a acreditar nas mesmas causas e persistiremos em ostentar as mesmas bandeiras. Defendemos o que tinha de ser defendido e é só.
   Hoje, oito décadas passadas, são poucas as pessoas com idade bastante para terem presenciado o fervor revolucionário daquela época, o suficiente para terem vivido e vibrado com a causa paulista. A verdade, todavia, é que nunca antes – e nunca mais depois de 1932 – os paulistanos e os paulistas vibraram de forma tão unida pelos mesmos ideais. Perdemos a batalha, mas, ao mesmo tempo, vencemos uma guerra: o Obelisco do Ibirapuera, como uma sentinela, em pé, significa que nunca mais ninguém se atreverá a confrontar SÃO PAULO.
   Em homenagem aos nossos heróis de 32, estão gravados nas paredes da FACULDADE DE DIREITO DO LARGO DE SÃO FRANCISCO estes versos de TOBIAS BARRETO, que resumem em poucas palavras o espírito e a disposição dos paulistas: QUANDO SE SENTE BATER/ NO PEITO, UMA HERÓICA PANCADA/ DEIXA-SE A FOLHA DOBRADA; ENQUANTO SE VAI MORRER”.
 
(Autor: João Mellão Neto, Jornal  O Estado de São Paulo - 27 de janeiro de 2012)